O erro dos outros não justifica o nosso: é justo receber sem trabalhar?


Por Redação Publicado 30/04/2025 às 11h14

Quando trabalhamos na iniciativa privada, com carteira assinada, são várias as situações que permitem o desconto de faltas em nossos salários. Aliás, é mais fácil elencar o que não gera esse desconto, tal como falta por problemas de saúde – mediante apresentação de atestado médico –, licença por mudança de residência ou quando perdemos parentes de primeiro grau. Fora isso, o empregador tem o direito de descontar os dias não trabalhados. Já os empreendedores e, sobretudo, os profissionais autônomos, sabem que um dia sem trabalhar significa não faturar, não receber, pois não houve trabalho ou serviço prestado.


Porém, há vereador em Paranaguá que considera normal se ausentar por nada menos que duas semanas, por compromissos pessoais, e ainda receber o salário integral. O pior, em vez de alegar que não sabia que havia restrições, que não fará novamente, ou que vai devolver metade do salário pelos dias em que ficou ausente das atividades legislativas, ele preferiu apontar o dedo e dizer que outro parlamentar, igualmente atuante como líder religioso, fazia o mesmo.

Se fosse o caso de já existir previamente um projeto relacionado a algo que o vereador em questão quisesse implementar na cidade, seja por vias legislativas, ou a critério de sugestão ao Executivo, isso também deveria estar claro e ter sido apresentado na Câmara. Mas não foi isso o que aconteceu. O senhor Irineu Cruz ainda teve o despropósito de utilizar a palavra em sessão ordinária para tentar se defender, dizendo que as passagens e estadias não haviam sido custeadas pela Câmara. Mas era só o que faltava para o absurdo ser completo, não é?

A viagem foi realizada para fins particulares, mesmo assim, o vereador recebeu salário integral, sem um desconto sequer, e ainda acha o suficiente a Casa Legislativa não ter arcado com os custos da viagem.

Já diziam os mais antigos: em boca fechada não entra mosquito. Se ele não tinha algo digno a ser dito, perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado.

Agora, cabe à população ir anotando em um caderninho – pois a memória é curta – essas “pérolas” dos seus candidatos, para servir de consulta e ajudar a escolher bem os representantes do povo no pleito de 2028.

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