Por R$ 1,6 milhão, Governo retira areia de praia na área central de Matinhos para repor em Caiobá

Com o serviço, IAT espera solucionar problema imediato de área afetada pela ressaca do começo de outubro


Por Redação Publicado 10/11/2025 às 18h20 Atualizado 09/03/2026 às 11h52

Quem passou pela área da Colônia dos Pescadores, na região central de Matinhos, e pela Praia Brava, em Caiobá, desde sexta-feira (7), percebeu a intensa movimentação de máquinas, cones delimitando o perímetro e placas com o aviso: “Atenção. Obras de recuperação da faixa de areia”. O maquinário inclui escavadeiras que removem grandes volumes de areia e enchem caminhões responsáveis por transportar o material até a Praia Brava, no balneário Caiobá.

Dois dias após licença ambiental para remoção de solo emitida pelo IAT, máquinas começaram a fazer a retirada de areia da área dos pescadores. Foto:
Dois dias após licença ambiental para remoção de solo emitida pelo IAT, máquinas começaram a fazer a retirada de areia da área dos pescadores. Foto: Douglas Avellar/JB Litoral

A areia está sendo realocada no trecho que foi “engolido” pela ressaca ocorrida no início de outubro, levando cerca de 25% da engorda da praia e deixando um degrau de até dois metros de altura.

O fenômeno chamou a atenção e, na ocasião, também foi necessário o uso de máquinas para desfazer os barrancos, realinhando a faixa de areia para o uso seguro de pedestres e pescadores, em uma ação conjunta entre a Prefeitura de Matinhos e o Governo do Estado. Desta vez, é um serviço diferente, trata-se da remoção da área dos pescadores e a realocação da areia 2,5 km adiante.

Reposição da areia da praia dos pescadores para Caioba – Zuli Construtora de Obras – Foto- Douglas Avellar – JB Litoral (6)
Areia retirada é transportada até a Praia Brava, em Caiobá, onde será instalado o palco para a realização dos shows do Verão Maior Paraná. Foto: Douglas Avellar/JB Litoral

Autorização e execução da atividade

Para que a remoção pudesse ser feita, o Instituto Água e Terra (IAT), por meio de sua Diretoria de Controle de Recursos Ambientais, emitiu uma autorização ambiental, na última quarta-feira (5). O documento ao qual o JB Litoral teve acesso, tem validade de seis meses e permite o serviço de terraplanagem na área dos pescadores e aterro na Praia Brava.

Locais onde ocorrem a retirada e a realocação da areia estão sinalizados e isolados. Foto:
Locais onde ocorrem a retirada e a realocação da areia estão sinalizados e isolados.

A licença também determina os itens que estão proibidos no serviço, tais como corte ou supressão de árvores, floresta, ou qualquer outra forma de vegetação nativa, além da limpeza ou lavagem de veículos e equipamentos na área. Ao final da obra, “a empresa deve apresentar perfil das seções com o levantamento de nível a cada 10 metros”, determinou o IAT.

Procurado pela reportagem, o órgão estadual ligado à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Turismo (Sedest) confirmou que o serviço foi iniciado na sexta-feira, por uma empresa contratada especificamente para a finalidade: a Zuli Construtora de Obras Ltda. A terraplanagem seguida de aterro está orçada em R$ 1,6 milhão e, segundo o IAT, resolveria o problema causado pela última ressaca na Praia Brava.

Acreditamos que é uma medida para resolver, mas vai depender da natureza, das ressacas”, declarou o órgão ao JB Litoral.

Problema é mais extenso

A reportagem também conversou com o diretor-geral da Secretaria de Meio Ambiente de Matinhos, Sergio Cioli. Segundo ele, a retirada da areia na área dos pescadores, junto à rotatória, onde haverá a programação da Semana da Consciência Negra, não irá diminuir a faixa de areia no local.

Não vai ter diminuição da faixa. Está sendo feita a terraplanagem, retirando material de cima e preservando a largura. Não traz prejuízo nenhum, inclusive, os próprios pescadores pediram para dar uma ‘baixada’ na areia, porque estavam com dificuldade de trazer as canoas”, explicou Cioli.

Mas em relação à solução do problema que veio à tona com a ressaca, levantando o temor de que a engorda da praia tivesse com a “validade” expirada, o diretor-geral da Secretaria Municipal de Meio Ambiente ressalta que o problema vai além do trecho da Praia Brava.

Reposição da areia da praia dos pescadores para Caioba – Zuli Construtora de Obras – Foto- Douglas Avellar – JB Litoral (10)
Aterramento busca reparar efeitos da ressaca ocorrida há um mês e prevenir efeitos de outros eventos naturais, segundo a Prefeitura de Matinhos. Foto: Douglas Avellar/JB Litoral

Toda e qualquer obra de engorda da praia é uma alternativa que a gente usa para evitar que a ressaca vá para o continente. Estamos tentando fazer o máximo possível para amenizar as próximas ressacas. A última atingiu toda a nossa faixa de areia, não só a Praia Brava, mas também o Pescador, a Rotatória, Riviera, Saint Etienne. Nós estamos focados em fazer logo na Brava por causa do Verão Maior Paraná”, completou Sergio Cioli.

Shows e Réveillon

O local mencionado pelo diretor é o destinado à montagem do palco principal para receber os shows do Verão Maior Paraná, responsável pelo maior público recebido ao longo dos fins de semana de programação, seguido pelo palco de Pontal do Paraná. Foi na Praia Brava que o cantor Luan Santana se apresentou para um público de 164 mil pessoas, em fevereiro deste ano, e onde o Dj Alok abrirá a programação da edição 2025/2026, em 9 de janeiro de 2026. É também na região que concentra um dos maiores volumes de turistas para o Réveillon.

Shows do Verão Maior Paraná 2024/2025 reuniram 1,82 milhão de pessoas; noite com maior público foi no palco de Matinhos, onde Luan Santana atraiu 164 mil pessoas. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Shows do Verão Maior Paraná 2024/2025 reuniram 1,82 milhão de pessoas; noite com maior público foi no palco de Matinhos, onde Luan Santana atraiu 164 mil pessoas. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Empresa tem vários contratos em andamento

A Zuli Construtora de Obras, empresa responsável pela movimentação de areia até a Praia Brava, tem outros 15 contratos com o Governo do Paraná, assinados entre 2023 e 2025. Desses, apenas um foi firmado no Litoral — a contratação pelo Instituto Água e Terra (IAT) para serviços de limpeza e desassoreamento do Rio Cerquinho, em Guaraqueçaba. O contrato, no valor de R$ 447.999,99, foi o menor entre os 15 e teve vigência encerrada em agosto deste ano. Somados, os contratos da Zuli totalizam R$ 46,3 milhões (R$ 46.317.279,55). As outras 14 contratações homologadas são executadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), todas ainda vigentes em outras regiões do Estado.

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