A força antecipada de Sergio Moro na disputa pelo governo do Paraná


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 14/11/2025 às 14h30

A nova rodada do Paraná Pesquisas deixou um recado direto para o meio político: Sergio Moro (União Brasil) entrou no tabuleiro de 2026 com espaço, margem e musculatura para liderar a corrida ao Governo do Paraná. Não é só sobre números, é sobre como esses números reorganizam estratégias, aceleram movimentos internos e pressionam partidos que ainda não definiram rumos.

Senador Sergio Moro lidera corrida ao Governo do Paraná em 2026. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Nos cenários estimulados, Moro passa de 40% em todas as simulações e abre vantagem confortável sobre qualquer adversário testado, incluindo Requião Filho (PDT), que aparece sistematicamente em segundo lugar. A fotografia confirma que o senador é, hoje, o nome mais competitivo para disputar a sucessão de Ratinho Junior (PSD), criando uma situação incomum: o estado vive um governo bem avaliado, mas o partido do governador não tem, por ora, um candidato capaz de rivalizar diretamente com o favorito.

A aprovação alta de Ratinho Junior, que atinge 84,3% somando ótima, boa e regular, tende a ser um ativo valioso para quem buscar herdar sua base, mas ainda não se traduziu de forma automática no desempenho de nomes como Guto Silva (PSD), Alexandre Curi (PSD) ou Rafael Greca (PSD). Todos aparecem com menos força do que o esperado para um grupo no poder e precisariam de tempo, estrutura e narrativa para encurtar a distância.

Moro, por outro lado, chega ao jogo com vantagem dupla: tem recall nacional e se beneficia da indefinição do eleitor paranaense. A pesquisa mostra uma taxa de “não sabe/ não opinou” muito alta no espontâneo, acima de 70%, o que indica um campo aberto para quem já possui visibilidade consolidada. Ele ocupa esse espaço antes dos adversários conseguirem se apresentar.

O avanço do senador também gera consequências institucionais. Força negociações dentro do União Brasil e do Progressistas, amplia sua capacidade de articular apoios regionais e coloca pressão sobre partidos que dependem de alianças para se manter relevantes em 2026. Em especial, o PSD, que ainda busca nomear um sucessor competitivo, começa a lidar com a possibilidade real de ter de compor, e não liderar, a disputa.

O cenário é preliminar, claro. O volume de indecisos ainda é enorme, e o processo eleitoral tende a reorganizar forças ao longo de 2026. Mas, pela fotografia atual, Moro larga à frente não só nas intenções de voto, mas na capacidade de moldar a dinâmica da sucessão. A corrida está aberta, mas alguém já saiu do bloco com mais velocidade que o resto.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.