Compra de votos em Paranaguá: um problema nada novo


JB No Radar

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Por Brayan Valêncio Publicado 19/09/2025 às 19h09

Paranaguá vive um momento de atenção máxima sobre a política local. As eleições de 2024 deixaram marcas que ainda repercutem, e três vereadores eleitos: Fábio dos Santos (PSDB), Marilis Leite (Agir) e Renan Britto (Progressistas), continuam no centro de investigações por compra de votos. A opinião da população é cristalina: se fosse só um, talvez passasse despercebido, mas quando múltiplos parlamentares estão envolvidos, a cidade exige que a Justiça seja rigorosa e igual para todos.

Mari Leite, Renan Brito e Fabio dos Santos tem processos na Justiça sobre compra de votos. Fotos: Diogo Monteiro/ JB Litoral e Divulgação

O caso mais avançado é o do ex-presidente da Câmara, Fábio dos Santos, que já teve o mandato cassado em primeira instância por abuso de poder econômico. A sentença jogou luz aos casos envolvendo Renan e Mari Leite. A Justiça entendeu que houve distribuição de dinheiro e santinhos no dia da eleição, configurando clara compra de votos. A consequência é uma punição grande: perda do mandato e inelegibilidade por até oito anos. Para muitos eleitores, a decisão é justa, mas a sensação é de que a punição só será completa se outros vereadores também responderem por compra de votos. “Se fosse só o Fábio, estava tudo bem. Mas são vários. Tem que punir todos que fizeram isso”, comentou um eleitor na página do JB Litoral no Facebook.

Marilis Leite, por sua vez, ainda vê o seu processo em fase inicial. O procedimento judicial se encontra na etapa de coleta de documentos, enquanto a investigação busca montar o caso de forma estruturada. Segundo documentos públicos no processo, a suspeita envolve a organização de um esquema de compra de votos, com listas de eleitores e supostas instruções para pagamento. A demora na conclusão, para os cidadãos, gera impaciência e expectativa: muitos repetem que a Justiça não pode ser seletiva e que todos devem ser responsabilizados de forma igual.

Já Renan Britto teve audiência no dia 1º de setembro, com decisão importante publicada em 15 de setembro. O juiz autorizou o aproveitamento de depoimentos de testemunhas arroladas pela defesa como prova emprestada, dispensando a condução coercitiva que havia sido determinada anteriormente. Outros depoimentos serão analisados em audiências futuras, mantendo o processo em andamento.

População cobra solução para todos os casos

Mais uma vez, para os eleitores, o que importa é que o caso não caia no esquecimento e gera ainda mais dúvida: será que só esses três teriam supostamente agido de forma irregular durante as eleições?

O sentimento geral em cada reportagem publicada pelo JB sobre esses casos é que a Justiça Eleitoral precisa ser firme, mas célere. Muitos ressaltam que punir apenas um vereador criaria precedente perigoso, abrindo espaço para que outros se sentissem impunes. “Se fosse só o Fábio, talvez não tivesse problema. Mas são vários. Tem que punir todos que fizeram isso”, repete-se como um mantra nas redes sociais locais. A cobrança não é apenas pelo cumprimento da lei, mas pela preservação da credibilidade do voto.

Além do impacto imediato nos mandatos, essas investigações deixam lições para o futuro. A população de Paranaguá passa a acompanhar com mais atenção as campanhas eleitorais, os gastos declarados e os atos dos candidatos. O recado é claro: o eleitor não quer apenas saber quem venceu, mas como venceu, e se os princípios democráticos foram respeitados. A punição de todos os envolvidos é vista como um mecanismo de proteção da democracia local, mas precisa ser para todos.

Enquanto os processos avançam, a cidade observa, comenta e pressiona. O objetivo coletivo é que as próximas eleições sejam mais transparentes e que cada voto seja respeitado. A Justiça Eleitoral, nesse contexto, não atua apenas para punir, mas para enviar um aviso claro: em Paranaguá, não há espaço para irregularidades. 

Cidades pequenas e com um volume alto de dinheiro durante as eleições vivem historicamente o estigma de que só é eleito quem compra votos. Essa imagem errônea precisa ser sepultada definitivamente. Seja em Paranaguá ou em qualquer outro lugar, esse tipo de esquema criminoso precisa ser efetivamente combatido.

A população parnanguara quer que os erros do passado sirvam de lição, que a política local seja mais ética e responsável e que todas as eventuais irregularidades sejam punidas de forma breve. Fabio dos Santos não foi o primeiro e nem será o último, mas, por enquanto, é o único a sofrer as consequências.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.