Três ex-prefeitos do Litoral ganham cargos na gestão estadual


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Por Brayan Valêncio Publicado 19/05/2025 às 20h06

Mesmo fora das administrações municipais, três ex-prefeitos do Litoral voltaram a ganhar protagonismo político neste ano. Marcelo Roque (Paranaguá), Lilian Ramos Narloch (Guaraqueçaba) e José Paulo Vieira Azim (Antonina) foram nomeados para cargos estratégicos em diferentes setores do Governo do Estado. As nomeações reforçam a ideia de que, na gestão de Ratinho Junior (PSD), nenhum aliado é abandonado pelo caminho e indicam ainda que, para alguns quadros, a eleição de 2024 foi apenas uma pausa e não o fim da linha.

Os três prefeitos que deixaram a adminstração de suas cidades no dia 31 de dezembro de 2024 foram realocados em funções estaduais (Fotos: Divulgação)

Marcelo Roque na Casa Civil

O ex-prefeito de Paranaguá, Marcelo Elias Roque (PSD), foi oficialmente cedido ao Governo do Estado para atuar na Casa Civil, conforme portaria publicada no Diário Oficial dos Municípios em 16 de maio. A cessão foi assinada pelo atual prefeito, Adriano Ramos (Republicanos), adversário político de Roque nas urnas em 2020 e 2024.

Marcelo foi prefeito por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2024, e é filho do também ex-prefeito Mário Roque, tradicional liderança política do Litoral. Com forte apelo popular, Marcelo saiu da Prefeitura tentando manter sua influência política, mas teve sua base duramente atingida pela vitória de Adriano no último pleito. A ida à Casa Civil, uma das pastas mais estratégicas do governo estadual, pode representar um movimento de recomposição de força e aproximação com o Palácio Iguaçu, mirando 2026.

Lilian Ramos na FUNEAS

Em Guaraqueçaba, quem reapareceu no cenário foi a ex-prefeita Lilian Ramos Narloch, nomeada desde fevereiro para o cargo comissionado de assistente no Hospital Regional de Guaraqueçaba, vinculado à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas). A nomeação foi publicada em portaria assinada pelo presidente da fundação e marca o retorno de Lilian à gestão pública.

Lilian governou Guaraqueçaba nos últimos quatro anos e saiu do cargo em 2024 sem conseguir se reeleger. Mesmo assim, mantém articulação ativa nos bastidores e tem boa relação com quadros técnicos da saúde e com lideranças da região. A nomeação reforça seu vínculo com a estrutura estadual e pode ser um trunfo para manter capital político na cidade.

Zé Paulo nos Portos

Já em Antonina, o ex-prefeito José Paulo Vieira Azim, conhecido como Zé Paulo (PSD), foi designado em abril para o cargo de coordenador de relações públicas da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. A função está vinculada à Gerência de Comunicação e Marketing da autarquia, diretamente subordinada à presidência.

Zé Paulo teve passagens marcantes pela política local, quando comandou a Prefeitura de Antonina entre 2016 e 2024 e conseguiu fazer de sua então vice-prefeita, Rozane Osaki (PSD), sua sucessora. Ao deixar o cargo, tentou se manter ativo na região portuária, onde tem base de apoio. Sua nomeação para a Portos do Paraná, autarquia estratégica para a economia do Litoral, amplia sua presença institucional e o reposiciona no tabuleiro político regional.

O jogo não acabou

As três nomeações mostram que, independentemente do resultado das urnas em 2024, não acabou a influência de antigos gestores. Pelo contrário: o governo estadual parece estar abrindo espaço para reaproveitar nomes com experiência administrativa e peso eleitoral em suas regiões. As articulações sugerem um movimento de aproximação com lideranças locais que, mesmo fora do executivo, continuam relevantes nos bastidores.

Inclusive, como Roque e Lilian são servidores públicos, ambos precisaram ser cedidos de seus municípios para o Estado. De qualquer forma, os três prefeitos vão receber seus salários e as bonificações por função direto do cofre do Palácio Iguaçu.

Em comum, os três ex-gestores, que trabalharam juntos, carregam trajetórias políticas consolidadas, contam com redes de apoio ativas e têm perfis para auxiliar de forma relevante na possível disputa que o cenário sugere para 2026, principalmente se o adversário do grupo palaciano for mesmo o senador Sergio Moro (União Brasil).

A curto prazo, as nomeações garantem visibilidade, influência e, claro, salário. A longo prazo, podem servir como trampolim para uma eventual candidatura, seja para deputado em 2026, para um retorno à prefeitura em 2028 ou até para ocupar funções ainda mais relevantes no Estado. Em troca, Ratinho obriga as três lideranças do Litoral a serem fiéis ao seu grupo, carregando consigo todo o peso dos ex-prefeitos para suas ambições políticas — que não são pequenas.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.