Justiça em ritmo lento: o eleitor ainda não sabe quem é o seu verdadeiro representante
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
As decisões que vieram à tona nesta semana, tanto em Paranaguá quanto em Matinhos, escancaram um problema que vai além de partidos ou nomes: a lentidão com que a Justiça Eleitoral consegue restabelecer a normalidade depois de uma eleição manchada por falcatruas eleitorais.

Em Matinhos, a sentença em primeira instância que cassou os vereadores do PRTB por suposta fraude à cota de gênero confirma o que se comentava nos bastidores há anos: partidos lançam candidaturas femininas apenas para cumprir tabela, sem campanha, sem proposta, sem voto.
Em Paranaguá, o TRE-PR manteve a condenação de Bruno do Idamir (Progressistas) por suposta compra de votos, um caso clássico de abuso de poder econômico que compromete a lisura do pleito, mas Bruno, vale lembrar, não foi eleito. Enquanto isso, Fabio dos Santos (PSDB), Mari Leite (Agir) e Renan Britto (Progressistas) seguem nos cargos, mesmo já tendo sido cassados em 1ª instância.
Nos dois municípios, a Justiça agiu, porém tarde. As decisões são necessárias, legítimas e bem fundamentadas. O problema é que elas chegam mais de um ano depois da eleição e ainda não são definitivas. Enquanto isso, quem supostamente fraudou ou comprou voto exerceu mandato, influenciou votações, ocupou espaço político e, na maioria dos casos, manteve o controle sobre verbas e indicações.
A consequência é direta: o eleitor fica sem saber quem é o verdadeiro representante escolhido nas urnas, e quem disputou de forma honesta paga a conta da demora.
Essas decisões deveriam servir de alerta: a fraude à cota de gênero não é uma brecha burocrática, é fraude eleitoral. Já a compra de votos é uma ação que atinge o coração da democracia. Ambos os crimes corrompem o mesmo princípio: a igualdade de condições na disputa política.
A Justiça Eleitoral precisa agora ir além das condenações e dar celeridade aos desdobramentos. É urgente que o trânsito em julgado ocorra para que as recontagens, novas posses e execuções sejam concluídas rapidamente. Só assim as Câmaras vão voltar a refletir a vontade do eleitor. Cada dia de indefinição mina a confiança nas instituições e desrespeita quem jogou limpo.
Enquanto os processos se arrastam, quem deveria estar no cargo legítimo segue esperando, e o cidadão, que acreditou no voto como instrumento de mudança, vê o jogo político empacado por quem tentou burlar as regras.
Fraudar eleição, seja com dinheiro ou com candidatura de fachada, é negar o valor do voto e isso tem que ser corrigido com rigor e urgência porque só assim o cidadão, já tão desrepeitado, passa a ser honestamente representado.
