Atentai-vos, assessorias de imprensa: eis aqui um exemplo do que não fazer
A imprensa livre é um instrumento inconteste da democracia, com a função básica de levar informação à sociedade. Nesse contexto, exerce grande peso na formação de opinião e no debate público: a imprensa não apenas relata o que aconteceu, mas oferece contexto. Servimos como uma espécie de arena pública, onde diferentes ideias são postas à prova.
E o que dizer da nossa função no âmbito da educação cívica?
Muitas vezes, é por meio do jornalismo que as pessoas aprendem como as instituições funcionam. Aqui chegamos a um ponto em que o maior município do Litoral falhou, na última sexta-feira (20). O que deveria ser um fato corriqueiro virou um verdadeiro salseiro, capaz de provocar vergonha alheia até nos mais desavisados.
Vamos aos fatos: uma ONG expõe um impasse com a Prefeitura nas redes sociais, após tentar resolver a situação em conversas com o poder público. A Administração Municipal recebeu recursos oriundos de uma emenda parlamentar — as chamadas “emendas pix” — em que, uma vez na conta do Município, o dinheiro passa a pertencer à Prefeitura.
Ocorre que o dinheiro foi destinado a uma finalidade, e há meios legais de fazer cumprir a indicação do parlamentar que disponibilizou a verba. Mas, não sabemos se por estar mal assessorado juridicamente, o nosso prefeito acabou cometendo dois “atos falhos”. O primeiro deles, certamente, não dependia da caneta do prefeito.
Nada justifica que a assessoria de comunicação da Prefeitura de Paranaguá tenha passado um dia inteiro em silêncio, sem emitir sequer uma nota, para responder aos questionamentos da imprensa sobre a questão levantada pela ONG.
Para completar o papelão, depois de um dia ignorando os pedidos dos veículos, a Prefeitura divulgou um vídeo após as 23h de sexta-feira, com o prefeito falando algo que, além de poder ter sido resumido a uma nota, não procede. Existem, sim, meios legais de destinar os recursos da emenda pix para ONGs, desde que cumpridos os ritos necessários.
Vivemos em um tempo em que menos é mais. Respostas simples e diretas certamente surtem mais efeito do que tentar florear algo. A sensação que ficou é a de que a produção do longo vídeo resultou mais da mágoa pelas declarações da presidente da ONG e do deputado do que da intenção genuína de esclarecer a questão.
E não menos importante: é preciso sempre ter em mente o respeito à imprensa, que desempenha uma função democrática essencial. Não somos inimigos do poder público, mas, por vezes, somos tratados como vilões. Por que será?
Esperemos que fique a lição do que não fazer — não é assim que se fala à população.
