Editorial: Poucos faturando milhões e empregos ainda fazendo parte das promessas


Por Redação Publicado 04/10/2025 às 19h31

Ainda hoje, famílias proprietárias de terras costumam dividi-las em lotes para destinar cada pedaço aos seus herdeiros. A grosso modo, foi mais ou menos assim que aconteceu com o Porto de Paranaguá. Por trás do título, conquistado em abril, de ser o primeiro porto público do Brasil com 100% de sua área regularizada, a Portos do Paraná passou a administrar um espaço em que não restava mais nenhum “lote” a ser concedido à iniciativa privada. Na prática, continuaram usando as áreas enormes e extremamente lucrativas do porto aqueles que já estavam lá, enquanto outras passaram a ser utilizadas por quem ofereceu os maiores valores, comprometeu-se a investir bilhões de reais e prometeu gerar milhares de empregos.

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Ocorre que esse processo de privatização da área portuária de Paranaguá já completou seis anos e, até agora, nada foi feito em termos de obras que trouxessem impactos positivos para a vida e a economia dos parnanguaras. Onde estão os milhares de empregos, as grandes obras nas áreas concedidas por décadas, que deveriam ampliar os negócios e gerar postos de trabalho? Até agora, nada saiu do papel.

As últimas três áreas arrematadas foram a PAR14, PAR15 e PAR25. Quando e como essas empresas gigantes que arremataram as áreas vão começar a executar os cronogramas? De que forma a Portos do Paraná será atuante no acompanhamento desses contratos? Quando começará a entrar na era da transparência e deixar as operações às claras (obviamente respeitando os dados sigilosos das empresas)?

Nos últimos dias, a capital do Estado deu um passo importante rumo a essa transparência, tão inerente a uma gestão pública de qualidade, lançando um programa em que qualquer cidadão terá acesso ao andamento de obras públicas, por exemplo.

Essa é a tendência. Na realidade atual, não dá mais para “esconder” o que foi dito, prometer e não cumprir, ou depois alegar que algo não foi prometido, pois tudo fica registrado.
Então, a pergunta, ainda sem resposta, é: quando virão as obras e os milhares de empregos nas áreas leiloadas do Porto de Paranaguá?

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