Suspeito de matar protetora de animais já havia ameaçado incendiar casa da própria mãe
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu o suspeito de envolvimento na morte da protetora de animais Soeli Maria Pinto Bunting, encontrada morta dentro da própria casa em chamas, no bairro Alexandra, em Paranaguá. A prisão aconteceu na quarta-feira (20) e foi detalhada pelo delegado da 1ª Subdivisão Policial, Luiz Gustavo Flores, durante entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (21).

Jean Ribeiro Gouvea, de 31 anos, foi localizado enquanto trabalhava em uma obra, na Vila dos Comerciários. Segundo o delegado, a prisão foi resultado de um trabalho investigativo que envolveu análise de imagens de câmeras de monitoramento, diligências e medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
“Foi um trabalho muito bem feito pela equipe de investigação do setor de homicídios da 1ª Subdivisão Policial. Contou com análise de centenas de horas de câmeras de monitoramento e, com base nessas informações, foi pleiteada junto ao Poder Judiciário, com concordância do Ministério Público, a prisão do suspeito”, afirmou Luiz Flores.
Crime em Alexandra
O crime aconteceu no dia 6 de abril de 2026. Na ocasião, Soeli foi encontrada morta dentro da residência incendiada. Inicialmente, o caso aparentava ser um incêndio acidental, mas a perícia identificou sinais de violência no corpo da vítima. “Apesar do corpo carbonizado, ainda no local foram verificados sinais que indicavam a ocorrência de um fato criminoso”, explicou o delegado.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou indícios de que Soeli havia sido amarrada e morta por estrangulamento com fios de energia elétrica antes do incêndio. A necropsia confirmou que a vítima morreu antes de o fogo atingir a casa. “Há aspectos médico-legais apontados pela necropsia que demonstram que a morte ocorreu antes do incêndio. A ausência de fuligem nas vias aéreas, por exemplo, reforça essa conclusão”, detalhou Flores.
De acordo com a PCPR, o investigado deverá responder por homicídio qualificado e fraude processual. A suspeita é de que o incêndio tenha sido provocado para tentar ocultar o assassinato.
Histórico criminal
Além das suspeitas envolvendo o assassinato de Soeli, o homem possui uma extensa ficha criminal, com antecedentes relacionados a ameaças, violência e ocorrências envolvendo incêndio.
Segundo informações apuradas pelo JB Litoral, em 2023 ele chegou a ser preso após a própria mãe denunciá-lo por ameaças. Na ocasião, o suspeito teria afirmado que colocaria fogo na residência da família, situação que mobilizou as forças de segurança.
O investigado também já respondeu a um processo relacionado a incêndio registrado em 2022. Após o episódio, uma mulher chegou a solicitar medida protetiva contra ele.

Durante a coletiva, o delegado confirmou que o suspeito possui antecedentes que serão analisados ao longo do processo judicial. “Ele possui indicativos criminais e eles serão analisados no momento oportuno pelo Poder Judiciário, podendo eventualmente influenciar em questões relacionadas à pena”, afirmou Luiz Flores.
Investigação
A investigação aponta que o suspeito mantinha uma relação de amizade com a vítima, o que facilitava o acesso à residência. Segundo o delegado Luiz Flores, não há indícios de relacionamento afetivo entre os dois, afastando, neste momento, a hipótese de feminicídio.
“De forma preliminar, o que podemos informar é que havia apenas uma relação de amizade entre eles. Não existia nenhum relacionamento afetivo, o que afasta a possibilidade de feminicídio ou algo dessa natureza”, destacou
Até o momento, a corporação não divulgou detalhes sobre a motivação do crime. A Polícia Civil também descartou, até o momento, a participação de outras pessoas no caso. “Pela apuração realizada, que foi bastante completa, a Polícia Civil identificou apenas a atuação desse indivíduo preso”, completou o delegado.
O inquérito policial será concluído e encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário nos próximos dias.
