Renovação nas urnas, silêncio nos plenários


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 20/12/2025 às 13h29

2025 entrou para a história do Litoral como um ano de virada política. Novos prefeitos assumiram em cidades estratégicas como Matinhos, Paranaguá, Guaraqueçaba, Antonina e Guaratuba, impulsionados por um discurso forte de renovação, mudança de postura e promessa de fazer diferente. As câmaras municipais também passaram por uma oxigenação significativa, com novos nomes, estreantes na política e bancadas redesenhadas. No papel, o cenário era ideal para inaugurar um novo ciclo.

Pontal do Paraná nasceu do desmembramento do Município de Paranaguá, criado pela Lei n.º 11.252 de 20 de dezembro de 1995. Foto: Câmara Municipal de Pontal do Paraná
Pontal tem obras novas, mas os anúncios são do Governo Estadual. Nas demais cidades a situação é igual. Foto: Câmara Municipal de Pontal do Paraná

Passado o primeiro ano, a pergunta no tabuleiro político que fica é: qual foi, afinal, o legado de 2025?

No Executivo, ainda é possível compreender um ritmo mais contido. Primeiro ano costuma ser de organização administrativa, levantamento de problemas herdados e ajustes internos.

Para os legislativos, no entanto, esse argumento perde força. As câmaras entraram em 2025 com expectativa alta da população, que esperava protagonismo, fiscalização efetiva, debates relevantes e projetos estruturantes. Esperava-se, sobretudo, uma nova forma de fazer política.

O que se viu até aqui foi um ano discreto demais para quem prometeu tanto. Salvo iniciativas pontuais, não há uma grande marca legislativa que sintetize esse primeiro ano. Nenhuma pauta estruturante que tenha mobilizado a sociedade, nenhum projeto de impacto regional e nenhuma agenda clara que diferencie esse novo momento do roteiro tradicional de requerimentos, indicações genéricas e sessões com pouco alcance fora do plenário.

Isso chama atenção porque renovação não se resume à troca de nomes. Renovar exige atitude, disposição para enfrentar temas sensíveis e coragem para sair da zona de conforto. Até agora, muitos legislativos parecem ter optado por um caminho excessivamente cauteloso, quase tímido, diante do tamanho da expectativa criada nas urnas.

O alerta está dado. Se 2025 termina sem um legado visível, 2026 começa sob cobrança dobrada. A paciência do eleitor com o discurso do primeiro ano é curta, especialmente quando a promessa foi de ruptura com práticas antigas.

O Litoral mudou de comando, mas ainda aguarda sinais mais claros de que a política também mudou de postura. Renovar é mais do que chegar. É deixar marca. E, por enquanto, essa marca ainda não apareceu.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.