Produtores de banana da Colônia Potreiro enfrentam dificuldades de escoamento da produção devido as más condições das estradas


Por Luiza Rampelotti Publicado 14/07/2023 às 11h51 Atualizado 18/02/2024 às 16h58

Na semana passada, o JB Litoral publicou uma reportagem destacando as graves consequências das más condições das estradas na comunidade rural da Colônia Potreiro, localizada em Guaratuba. A falta de infraestrutura básica na região afeta negativamente setores fundamentais, como a educação e a saúde dos moradores.

Encerrando a segunda parte da reportagem especial, esta edição abordará as dificuldades enfrentadas pelos produtores de banana que residem na colônia. Entre os desafios mais significativos enfrentados por esses agricultores, destaca-se o escoamento da produção, que é severamente comprometido pelas precárias condições das estradas locais.

A estrada que abrange a Colônia Potreiro, desde a bifurcação que liga à região até a ponte do Rio São João, estende-se por aproximadamente 8 km. Embora essa distância possa parecer insignificante, as condições atuais tornam quase impossível a circulação de veículos comuns, restringindo o acesso apenas a tratores e veículos pesados.

Seu Luiz Carlos Koslowski é um dos 10 produtores de banana que vivem no Potreiro. Ao JB Litoral, ele desabafou sobre as dificuldades enfrentadas pela comunidade.

Quando chove, não temos como tirar a mercadoria, a estrada já é ruim e o rio atrapalha, então praticamente perdemos toda a produção. A gente precisava que arrumassem essa estrada, porque fazemos o caminho mais difícil para escoar, pelo rio, levando para São José dos Pinhais, mas gostaríamos de poder transportar e vender para Guaratuba, afinal, somos moradores desta terra“, lamentou.

Seu Luiz Carlos Koslowski é produtor de banana e fala sobre os impactos causados pela falta de manutenção das estradas. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral


Prejuízos econômicos


Segundo os produtores locais, cerca de 50 toneladas de banana por mês (nos meses mais quentes) são produzidas na Colônia Potreiro. A melhoria nas estradas é uma questão vital para a continuidade da produção.

Outro produtor, Thiago Eraldo Loska da Rocha, explica que as estradas estão nessas condições precárias porque “não há saibro, estão mal drenadas e não há manutenção adequada“. “Quando chove, nem mesmo um trator consegue se deslocar. Então, a situação é bastante difícil“, comenta.

Além disso, a situação causa problemas econômicos, uma vez que o transporte se torna muito mais caro devido à dificuldade de acesso à região. “Como não há condições para um caminhão passar por aqui, todo o transporte de insumos, por exemplo, precisa ser feito por trator, e o frete de um trator é muito caro. Isso nos prejudica muito. Para escoar a banana, também temos que usar o trator para atravessar o rio, mas quando chove, fica impossível, porque o rio chega a subir até 4 metros de altura, ocasionando a perda da produção“, afirma Thiago.

Outro produtor é Thiago Eraldo Loska da Rocha. “Não há saibro, estão mal drenadas e não há manutenção adequada”, diz sobre as estradas. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

Autorização ambiental concedida


De acordo com a Prefeitura de Guaratuba, há um projeto em andamento para a recuperação das estradas do Potreiro, com limpeza das passagens de água existentes. Mas, para isso, era necessário o corte de barreiras que caíram, serviço este que depende de licenciamento ambiental, por se tratar de uma Área de Proteção Ambiental (APA).

A autorização para a recuperação da estrada foi concedida pelo Instituto Água e Terra (IAT) no dia 29 de junho, poucos dias após a visita da equipe de reportagem do JB Litoral à região. Contudo, a Prefeitura requereu a autorização apenas neste ano, por isso, anteriormente, as manutenções não foram realizadas.

Com o licenciamento, o Poder Municipal pode executar os trabalhos de recuperação nas estradas pelo período de 24 meses, com validade em 29 de junho de 2025. Os serviços foram iniciados pelas equipes do Poder Executivo na quarta-feira (12).


Vitória da comunidade


Para os moradores, a autorização e início dos trabalhos de recuperação são considerados conquistas da comunidade, que se uniu e pressionou o Poder Público de Guaratuba (Executivo e Legislativo) para que a região recebesse atenção. No entanto, eles também lamentam que a situação da estrada tenha chegado a esse ponto antes de receber os devidos trabalhos de manutenção.

São mais de seis anos reivindicando, pedindo, procurando a Prefeitura e a Câmara de Vereadores para que dessem alguma atenção para a nossa comunidade. Nunca foi feita uma manutenção, por isso chegou nesse ponto insustentável”, diz a moradora Carla Semes.

Ela ainda compara a situação das estradas do Potreiro com as estradas da Colônia Castelhanos, comunidade rural de São José dos Pinhais, localizada nas proximidades. “A gente não consegue entender como São José dos Pinhais consegue manter a estrada tão boa, sem precisar dar desculpas de que o IAT não libera, e Guaratuba não. Vemos frequentemente a patrola passando na Castelhanos; lá o Poder Municipal se preocupa com a comunidade, enquanto aqui vivemos em um eterno abandono”, lamenta.

São José dos Pinhais realiza manutenção a cada 45 dias


Para entender melhor como a Prefeitura de São José dos Pinhais realiza a manutenção da estrada da Colônia Castelhanos, o JB Litoral entrevistou o secretário de Obras do município, Marco Setim. Segundo ele, a região não requer autorização do IAT para a realização da manutenção, que é feita a cada 45 dias.

Reconhecemos a importância de manter a estrada em condições adequadas para nossos agricultores, para que eles possam escoar sua produção. São cerca de 200 famílias que vivem na Colônia Castelhanos, onde há produção de banana, por isso, investimos na região. No momento, estamos fazendo uma agroindústria lá, em parceria com Cooperativa dos Agricultores Familiares da Colônia Castelhanos, a COOCASTEL. O investimento está quase finalizado e eles poderão executar o projeto de exportação de farinha de banana”, conta Marco.   

O secretário ainda revela que a manutenção tem custo baixo, e é feita com recursos próprios da Prefeitura de São José dos Pinhais. “Utilizamos nossos próprios equipamentos e servidores. Se precisa de saibro, mandamos a carga; em poucos pontos usamos o material fresado”, diz.

Marco também destaca que a manutenção pode ser feita normalmente, sem interferência dos órgãos ambientais. No entanto, não é possível realizar alargamento de ruas, derrubada de árvores, entre outros.

Material fresado disponível


Assim como a Prefeitura de São José dos Pinhais, a de Guaratuba também pode contar com material fresado para realizar manutenções em suas estradas. É que a concessionária Arteris, responsável pela BR-376, que passa por Guaratuba, doa o material às cidades em sua região de influência.

Segundo os moradores do Potreiro, há uma quantidade significativa desse material doado armazenado no pátio da Associação dos Produtores Rurais Nova Comunidade, na colônia, porém não está sendo utilizado para a manutenção da estrada. Ao JB Litoral, a Arteris esclareceu que, para receber a doação, as Prefeituras precisam solicitar o material por meio de ofício.

A utilização do material deve ser exclusivamente para fins de interesse público, não sendo permitida utilização por particulares. Após o recebimento e utilização, a Prefeitura deve encaminhar relatório comprobatório da aplicação do material, inclusive com fotos e demais informações complementares. A não apresentação da referida prestação de contas implica no bloqueio de novas doações”, explica a concessionária.

O JB Litoral também questionou a Prefeitura de Guaratuba sobre o material visualizado no pátio da Associação. De acordo com o Poder Municipal, ele é aplicado em estradas rurais e em ruas do município.

O material já foi utilizado para a manutenção da estrada do Potreiro. Inclusive, há material estocado na própria Associação do Potreiro, aguardando para ser utilizado na readequação da estrada que depende de licença ambiental”, diz a Prefeitura.

O Poder Municipal também fez questão de ressaltar que implantou serviços que antes inexistiam na localidade, como a coleta de lixo, instalação de iluminação pública de led e atendimento médico próximo. Contudo, para a Prefeitura, os serviços já oferecidos na região são suficientes para a qualidade de vida da população. “Foi verificado que as unidades e serviços próximos absorvem a demanda baixa da comunidade, não necessitando de novos espaços”, conclui.

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